Nota do Gabinete de Imprensa do PCP
O Conselho de Ministros acabou de aprovar a privatização da
Empresa Geral de Fomento (EGF), empresa para o sector de resíduos do
Grupo Águas de Portugal.
A intenção não é nova e, a concretizar-se, significará na prática a
privatização das 11 empresas multimunicipais nas quais a EGF detém 51%
ou mais do capital e consequentemente, a entrega aos privados de 60% do
sector de resíduos
no País.
A EGF é, numa área estratégica, rentável, dispõe de modernas
tecnologias e infra-estruturas, possui trabalhadores qualificados,
movimentando anualmente cerca de 170 milhões de euros. Só em 2012, numa
altura em que o Governo já tinha anunciado a intenção de proceder a
privatizações no sector, foram investidos, pelas empresas do grupo,
perto de 45 milhões de Euros, o que não pode deixar de ser lido como
mais um exemplo de investimentos públicos para lucros privados.
A privatização significará o aumento do preço cobrado e a diminuição
da qualidade do serviço prestado, à semelhança de muitos outros
processos de privatização. Os municípios perderão ainda mais capacidade
de intervenção e decisão num sector que lhes diz directamente respeito e
de que são parte integrante, por direito e natureza.
Os utentes
perderão capacidade de controlo democrático, uma vez que não podem votar
nas administrações de empresas privadas. A privatização significará
ainda um ataque ao emprego com direitos. As empresas, controladas pela
EGF empregam cerca de 2000 trabalhadores cujos salários e condições de
trabalho têm vindo a ser reduzidos para tornar mais apetecível a
privatização. A lógica privada sobrepor-se-á ao objectivo de redução da
produção de resíduos, objectivo central de política ambiental.
Para o
capital privado, mais resíduos, mais lucros! As preocupações ambientais
conflituam muitas vezes, como no caso em apreço, com o objectivo da
maximização de lucros do accionista privado e sempre que isso suceder, a
primeira será preterida em benefício da segunda.
Este é igualmente um processo que não pode ser desligado dos
sucessivos golpes às Autarquias, o seu estrangulamento financeiro, o
bloqueio de acesso aos fundos comunitários, da utilização das Águas de
Portugal e da ERSAR como instrumentos para subir tarifas e impostos e
espoliar competências autárquicas nos serviços públicos, pondo-os sob a
tutela do Governo, para os transformar posteriormente em negócios
privados com o único objectivo de maximizar o lucro de capital à custa
dos trabalhadores e do empobrecimento geral das populações.
A gestão de resíduos é fundamental ao desenvolvimento equilibrado do
País e essencial à preservação e conservação do meio ambiente, à coesão
social e económica, à saúde pública e à qualidade de vida das
populações. Este é um sector que deve manter-se na esfera pública e não
deve ser transformado num negócio!
Entre outras iniciativas, o Grupo Parlamentar do PCP vai requerer a
apreciação parlamentar do Decreto de Lei hoje aprovado em Conselho de
Ministros, no sentido da sua revogação.
O PCP apela à mobilização e luta das populações e dos trabalhadores
contra este processo de privatização que conduzirá ao aumento das
assimetrias económicas e da pobreza, bem como o aumento dos lucros da
exploração monopolista de um sector estratégico e fundamental ao
desenvolvimento do País.
O PCP considera que só o reforço da presença do Estado, a capacitação
dos instrumentos públicos no sector e o apoio às autarquias garantem a
universalidade do acesso e a qualidade deste importante serviço público.

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