Hoje estive detido duas horas no posto da GNR de um lugarejo do Alto Minho que dá pelo nome de
Tangil, Concelho de Monção. Tudo começou com a paranóia de um sujeito que, ao ver-me exercer a minha actual profissão - ando a "contar a luz" por conta de um sub-empreiteiro contratado por um empreiteiro que foi contratado pela EDP - me achou com pinta de marginal. Até aí percebo-o. Depois, como lhe sugere profusamente a "a comunicação social" arranjou um magote de gente e foi esperar-me na aldeia seguinte onde encenaram um linchamento. Veio "a Guarda" - eu pedi que um dos "amotinados" a chamasse, não tinha saldo no telemóvel - primeiro um jovem à paisana num carro particular - parecia um "meu", tá evoluída a parvónia - e depois um carro patrulha com três agentes. Acho que era o total dos efectivos de Tangil, pelo menos não vi mais nenhum no posto. Identificaram-me, sem ler a identificação, e seguiu-se um caricato momento de discussão a ver se o carro ficava ali ou se seguia para a esquadra atrás do carro patrulha. Venceu a tese do inteligente que se voluntariou para ir comigo, não fosse eu fugir. O meu carro tem quase trinta anos e 600 000 kms. Pelo caminho julgou-me, insultou-me, convencido de que era uma questão de chegar ao posto para me incriminar e condenar. Ás pessoas que assistiram ao circo disse-lhes eu: daqui por duas horas estou aqui, e vocês vão pedir-me desculpa - No posto a palhaçada prosseguiu. Obrigaram-me a assinar o meu nome numa folha de papel - queriam que fosse em baixo, que patuscos! - para comparar com a do BI. Também quiseram que fizesse a minha rúbrica para comparar com a que tenho no cartão de serviço. Telefonaram ao meu supervisor, sem se identificarem, e queriam saber como se tramita todo o processo de adjudicação de empreitadas - pelo telefone! Queriam que eu dissesse que era funcionário da EDP - coisa que não (já) não sou - e como eu respondia que não era, mais desconfiados ficavam. Ignoravam que a EDP já há perto de vinte anos não tem funcionários próprios a fazer este serviço. Estes e muitos mais. O povo paga. Depois quiseram falar com o responsável da EDP pela leitura, o que achei engraçado, pois trata-se de um ex-colega meu que entrou no mesmo concurso em 1987... para leitor. Claro que ele estava em reunião. Já não havia mais investigação possível, tudo parecia demonstrado, mas em vão: eu continuava detido (o paisano dizia que não, mas eu não me sentia convidado nem tinha sido intimado) quando me lembrei do sub-empreiteiro, que também anda na rua como eu, e eles até o conheciam porque é da terra ao contrário de mim.
Entretanto, lembrei-me também que tenho um cartãozito de "Deputado Municipal" que, por exemplo, confere imunidade para qualquer detenção, excepto em caso de flagrante delito. Apresentei-o como identificação suplementar - ao fim de uma hora a aturar incompetência militante - e o caso mudou de figura. Radicalmente. E chegou o "sub-empreiteiro". Por estranho que pareça, o homem não sabia que era sub-empreiteiro, apesar de o nome dele aparecer escarrapachado no cartão de serviço. Mas confirmou, sim, eu trabalhava por conta do empreiteiro, portanto, estava livre. Mas tinha perdido duas horas de trabalho tarefeiro, pago à peça. Não completei o objectivo, quem me paga não quer saber destas vicissitudes nem do cartãozito, vou ser penalizado na remuneração, mais do que poderia ter ganho se o dia fosse normal.
À saída do posto, o guarda "mais compreensivo" - há sempre um, deve ser uma carreira - acompanhou-me ao carro e tentou convencer-me que "isto é normal", as pessoas andam desconfiadas. O que me apetecia dizer-lhe é que a "normalidade" reside em meia dúzia de estúpidos que definem o mundo deles e o meu pelo voto no primeiro vigarista que lhes dá sacos plásticos e isqueiros. Mas não, também cansa derreter cera com tão medíocres defuntos. Disse-lhe o que me ia na alma: isto é um país de merda, quem me dera emigrar.Regressado ao ponto de detenção, escoltado "pela guarda" como exigi (quatro piscas - ai ninas!) voltei ao meu povo, finalmente apaziguado pela reposição da verdade e a acção da ordem pública. Uma mulher que tinha estado no motim pediu-me desculpa (os homens tinham-se pirado) e disse que até tinha pena de mim. Respondi-lhe com humildade e amor: não tenha, minha senhora, tenha pena de si.
Entretanto, lembrei-me também que tenho um cartãozito de "Deputado Municipal" que, por exemplo, confere imunidade para qualquer detenção, excepto em caso de flagrante delito. Apresentei-o como identificação suplementar - ao fim de uma hora a aturar incompetência militante - e o caso mudou de figura. Radicalmente. E chegou o "sub-empreiteiro". Por estranho que pareça, o homem não sabia que era sub-empreiteiro, apesar de o nome dele aparecer escarrapachado no cartão de serviço. Mas confirmou, sim, eu trabalhava por conta do empreiteiro, portanto, estava livre. Mas tinha perdido duas horas de trabalho tarefeiro, pago à peça. Não completei o objectivo, quem me paga não quer saber destas vicissitudes nem do cartãozito, vou ser penalizado na remuneração, mais do que poderia ter ganho se o dia fosse normal.
À saída do posto, o guarda "mais compreensivo" - há sempre um, deve ser uma carreira - acompanhou-me ao carro e tentou convencer-me que "isto é normal", as pessoas andam desconfiadas. O que me apetecia dizer-lhe é que a "normalidade" reside em meia dúzia de estúpidos que definem o mundo deles e o meu pelo voto no primeiro vigarista que lhes dá sacos plásticos e isqueiros. Mas não, também cansa derreter cera com tão medíocres defuntos. Disse-lhe o que me ia na alma: isto é um país de merda, quem me dera emigrar.Regressado ao ponto de detenção, escoltado "pela guarda" como exigi (quatro piscas - ai ninas!) voltei ao meu povo, finalmente apaziguado pela reposição da verdade e a acção da ordem pública. Uma mulher que tinha estado no motim pediu-me desculpa (os homens tinham-se pirado) e disse que até tinha pena de mim. Respondi-lhe com humildade e amor: não tenha, minha senhora, tenha pena de si.
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