Alípio Nunes - Sem esquecermos a crise por o que o pais passa, nunca podemos fazer a analise de uma região ou zona sem atendimentos a questões mais alargadas que condicionam as vivência das populações.
Não entrando em grandes juízos de carácter político, Valença é também, o reflexo do pais em que vivemos.
Há dificuldade a mitos níveis e as populações sofrem muito com isso.
O desemprego vem aumentado paulatinamente, fruto do encerramento de empresas industriais e outras
- que em Valença não era muitas mas tinham significado social importante- fruto das históricas dificuldades do pais agravadas ultimamente por a quase paragem da economia mundial.
As consequências desta situação, nesta terra que esta a perder gente, podem ser trágicas. Ha pessoas com muitas dificuldades e alguma miséria encapotada. Ha crianças que tem , como refeições diárias, a única que tomam na escola.
Faço parte do Concelho de Segurança que esta adstrito a Câmara e já alertei, para essas situações.
NV- O que descreve é muito grave. Mas que respostas ha para as alertas das pessoas ou autoridades mais atentas a estas situações?
Alípio Nunes - Poucas e sem eficácia.
NV - Coma assim ?
AN - Sabe, e tudo uma questão de votos. Alguns partidos, e seus representantes, em momentos de eleições prometem tudo do melhor para as gentes mas, na realidade, o que acontece a seguir é uma grande frustração pela não concretização de promessas que deixa quase tudo na mesma.
Nesta terra ha apoios, mas vejo que os critérios da distribuição e aplicação são muito discutíveis.
Regra geral, os interesses económicos estão associados a interessas políticos que vão desde o PS ate ao mais extrema da direita, o que não é salutar porque resulta sempre no esquecimento real dos mais desprotegidos a atestar por o conhecimento empírico que tenho de casos como o que acima refiro relativamente as crianças. Se umas quantas famílias estão em dificuldade, a mobilização de meios de apoio é sempre complicada e burocratiza, mas se for um clube de futebol, porventura tudo é simplificado.
Não me parece justo que os responsáveis pelo destina das populações atendam prioritariamente assuntos que muitas vezes não representam o real interesse do povo.
NV - A entidade maior do Concelho que melhor posicionada esta nesta matéria de observação e acompanhamento das pessoas é a Câmara Municipal. O que é que ela tem feito para remediar estas situações de dificuldade?
Alípio Nunes - Pouco, embora tente fazer alguma coisa de concreto.
Deveria ter mais protagonismo em questões de, por exemplo, encerramento de empresas
em que muitas vezes os trabalhadores não tem mais ninguém para se virar. Esta Câmara, através do seu Presidente provavelmente com as melhores das intenções, assinou de cruz o projecto Rodman, onde desaguaram rios de Euros vindos do Estado, para laborar dezenas de anos e o que aconteceu que a empresa funcionou 14 meses e fechou. Obviamente, este projecto que deu muitos votos ao Presidente da Câmara seria para ocupar os Valencianos e isso não aconteceu, porque com o argumento de que a conjuntura internacional não era favorável, a empresa suspendeu a actividade e a Câmara, como o Estado, nada fizeram para as coisas não tivessem o desfecho que tiveram.
Mas não é só nesta questão que a Autarquia falha.
Tem fama de ter uma gestão equilibrada, que tapou passivos vindo de um passado recente mas isso, por si só, não é tudo. E então o povo fica feliz por ter uma Câmara que paga o que deve, que faz as continhas todas para tudo dar certo, e, por exemplo, por outro lado, é
um zero nas matérias de ambiente, transporte de idosos, na problemática da juventude ? Em que ficamos? O povo o que quer é ver os seus problemas mais prementes resolvidos. Esta é que é a realidade.
NV - A CDU, de que o PCP faz parte para concorrer as próximas Autárquicas, numa perspectiva hipotética, se ganhasse a Câmara, como resolveria as dificuldades ou problemas dos Valencianos ?
Alípio Nunes- Temos que ser realistas, as nossas pretensões são meter um ou dois Vereadores na Câmara e aumentar o numero de elementos na Assembleia Municipal, pois temos consciência do nosso limite. Não que não tenhamos pessoas a altura para essas funções, mas de momento o nosso principio é ir ganhando adeptos para a nossa causa através de acompanhamentos nas situações delicadas em que as pessoas caem, com são as que neste momento pairam no céu de Valença. Sabe " Roma e Pavia não se fizeram num dia!"
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